quarta-feira, 31 de maio de 2017

desiderandum


!deixai ruínas por onde passares
benditos que vierem a desobedecer
a estes os campos vermelhos
dos senhores mortos







A quatro mãos




dos meus poros saem suor e fogo
sinto tua respiração me
lambendo o rosto
minhas mãos se misturam
aos teus cabelos puxam 
passeiam por teu corpo
língua faz contato com tua orelha
morna roça meus lábios querendo encontros
tudo em rotação trezentos e sessenta mais 
mãos firmes te coloco junto
Tua pele já não  só tua
acaricio teu rosto reparo cada traço
desço    língua     pescoço
seios imploram bocas
deslizo por teus caminhos quentes molhados 
nossos líquidos se misturam 
encaixe      balanço      delirantes 
nos saboreamos com toda vontade 
e precisão sugando gota a gota 
pele a pele
pelo a pelo
Cadência única
apenas tambores
vapor        cheiros         gostos 
caldo quente escorrendo pelas mãos 
explodindo juntas 






Lugar nenhum


vento passa a mão
em meu rosto
giro a cabeça
o intangível 
por cima do ombro
passam tristezas
vontades q não cabem em lugar nenhum
além de aqui em minhas doidices
 
eu queria ter dado mais pernas
eu queria ter dado mais braços
eu não queria ter dado tanto espaço
me feito mais presente
céu companheiro chora comigo
essas dores q se demoram
fica o cheiro de terra molhada
 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

mutatis mutandis



silenciosas frias madrugadas
quando fervo por dentro
quando doida de tanto me ouvir
quando nao me seguro em mim
Avessa  crua  bruta  vadia solta

!multipla

tantos pés  tantos caminhos
infinitas          possibilidades
concretude em perceber-se só
!plasticidade catalisadora
:o senhor 
- não podes não deves
golpeando com martelo 
repetidas vezes 
seu lobolo frontal 
a fala cessa
quando paro
percebo que me foi 
extirpado um tumor menos












bis in idem


restou um lugar 
familiarmente
diferente
uma cama
improvisada
um espaçozinho
no guarda-roupas
desconfortos vários
por agora inevitáveis
íntimos desconhecidos
impingidos novamente
a conviver
presente









segunda-feira, 8 de maio de 2017

       
Status quo


 ando trazendo uma pele tão fina
 q a mais suave brisa aflige
 caminho por essas ruas
 passo sempre calada
 com observar doído incredulo
 por entre essa gente
 q é sempre a mesma
 a mesma q me nega passagens
 de tão alheia ao mesmo
 de tão avessa ao mundo
 do averso a tudo
 apenas conheço 
 o q não reconheço
 !e isso em demasia
 me é tudo e nada